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O que É, como Funciona e como Executar um Tanque Séptico


Fossa Séptica
Figura 1: Fossa Séptica

Já é sabido por todos que, o lançamento de esgoto sanitário sem o prévio tratamento é responsável por significativos impactos ambientais, inclusive pode refletir diretamente na saúde das mais variadas formas de vida, em particular, à saúde humana.

Quando da inexistência de redes coletoras de esgoto pública, nos casos mais simples, como os de residências ou condomínios isolados, pode-se recorrer ao uso das Fossas Sépticas (Figura 1) que, segundo Nuvollari (2015), são também chamados de decanto-digestores. De maneira simplista, pode-se entender um tanque séptico, pelo seu funcionamento, como sendo uma pequena estação de tratamento de esgoto rudimentar, ainda que sua execução se dê através de procedimentos técnicos e cálculos de engenharia.

Então, as chamadas fossas sépticas são tanques impermeáveis, projetados para receber toda contribuição de esgoto doméstico de um determinado empreendimento (residência ou condomínio isolado, por exemplo). Dentro desses tanques, toda matéria orgânica deverá ser degradada, convertida em um material denominado lodo, o qual fica depositado no fundo do tanque. Este material deve ser recolhido periodicamente conforme projetado, por empresa especializada em esgotamento.

Portanto, o tanque séptico nada mais é do que um tanque que recebe todos os esgotos doméstico de uma residência, por exemplo.

Por esgoto doméstico entenda-se todos os rejeitos oriundos de banheiros (lavatórios, bacias sanitárias, mictórios, banheiras e chuveiros), cozinhas, lavanderias e ralos de pisos internos de um domicílio. Ou seja, toda água que sofra alteração pelo uso humano, industrial e comercial é considerada esgoto e deve ser destinada para a rede coletora de esgoto, quando esta existir, quando não, deve-se recorrer ao sistema individual de tratamento, como é o caso dos sistemas constituídos por fossas sépticas e filtro anaeróbio ou sumidouro.

É importante destacar que os esgotos da cozinha devem passar antes por uma caixa de gordura de modo que possam ser evitados problemas nas tubulações prediais e a redução da capacidade de infiltração no sumidouro.

Como Construir um Tanque Séptico?

As famosas fossas podem ser construídas em elementos pré-fabricados (pré-moldado de concreto), contudo, normalmente são executados in loco em concreto ou alvenaria. As fossas devem ser estanques e resistir as condições sob às quais estão submetidas tais como os ataques químicos do despejo, sendo dessa forma durável e segura.

Por serem impermeáveis pode surgir o seguinte questionamento: Minha fossa vai não encher muito rápido, e dessa forma não terei que gastar muito com esgotamento?, de certo modo esse inconveniente não deixaria de ser uma verdade, se não fosse a construção de um Poço Absorvente, também chamado de Poço Sumidouro(figura 2), ou Valas de Infiltração (VI) ou passar por Valas de Filtração (VF) ou Poços Anaeróbios ou Filtro Anaeróbio de Fluxo Ascendente (FAFA). São esses elementos que deverão receber a parte fluida que sai da fossa séptica.

Quanto a capacidade volumétrica e as dimensões dos tanques sépticos, estas devem seguir as recomendações da Norma Regulamentadora Brasileira (NBR) 7229 (ABNT, 1993) (ver quadro 01 abaixo):

Volume Útil (m3) Profundidade Útil Mínima (m) Profundidade Útil Máxima (m)
Até 6,0
1,20
2,20
De 6,0 a 10,0
1,50
2,50
Mais que 10,0
1,80
2,80

Alguns cuidados devem ser observados quanto a locação dos tanques sépticos em relação à edificações, poço sumidouro, limites do terreno e de fontes de abastecimentos de água, como por exemplo:

  • distância mínima para edificações: 1,50 m;
  • distância mínima para os limites da edificação: 1,50 m;
  • distância mínima entre fossa e sumidouro: 1,50 m

Ao contrário dos tanques sépticos, os poços sumidouros e as valas de infiltração devem ser permeáveis, e sua capacidade absorvente deve ser determinada antes de serem efetuados os cálculo para o seu correto dimensionamento. As recomendações para o correto procedimento de cálculo e execução de fossas sépticas e sumidouros são determinadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através de Normas Brasileira Regulamentadoras (NBR) tais como as NBR 7229 e 13.969.

Denomina-se Saneamento Básico o conjunto de serviços constituído por: Tratamento e Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário, Drenagem Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos.

Entre os impactos que a falta ou falhas no saneamento básico podem causar destacam-se as patologias, quer seja pelo contato direto com água contaminada, por exemplo, quer seja indiretamente. Estudos apontam que as doenças diarréicas estão entre as principais causadoras de mortalidade infantil em crianças menores de cinco anos.

Entre outros fatores, podem-se citar problemas estéticos, mau odor, proliferação de vetores de doenças, além de comprometer significativamente a economia em cidades turísticas.

Uma população mais suscetível à contrair doenças é uma população que produz menos, além de demandar maiores despesas aos cofres públicos com tratamentos de doenças e internamentos. Dentro deste contexto, estudos apontam que cada real investido em saneamento básico representa uma economia de quatro reais em saúde.

Nesse sentido, o que o poder público deve fazer para mitigar os problemas relacionados com as falhas ou falta no saneamento básico?

  1. Primeiramente, deveriam os gestores municipais estabelecerem projetos e metas para implantar ou expandir os serviços que compõem o saneamento básico, visando o atendimento de 100% da população, ainda que estes serviços sejam concedidos à empresas privadas, conforme prevê a legislação;
  2. Deve ainda, instituir e capacitar periodicamente, esquipes de fiscalização e monitoramento com capacidade de educar e punir, se necessário, aqueles que não atenderem as exigências legais e normativas de modo à combater possíveis ligações indevidas, descarte irregular de resíduos, ou mesmo falhas nas redes de esgotamento e abastecimento;
  3. Promover a criação dos chamados EcoPontos onde devem ser descartados entulhos oriundos de pequenas construções e reformas, evitando com isso que sejam descartados em locais determinantes proibidos e/ou protegidos por lei;
  4. Promover campanhas de educação ambiental de modo a orientar a população menos informada;
  5. Estabeler a interação entre as esferas governamentais, os órgãos e setores públicos responsáveis pelo meio ambiente e saneamento e administração dos recursos hídricos.

Quanto a população, o que esta pode e deve fazer para garantir o correto funcionamento do sistema de saneamento básico?

  1. Cabe a população destinar adequadamente seus esgotos. Caso a população seja servida de rede coletora de esgoto, esta deve solicitar a ligação ao órgão ou concessionária responsável pelo serviço; Do contrário, não havendo a rede coletora, é imprescindível adotar a melhor solução individual que pode ser o sistema composto por tanque séptico (as chamadas fossas sépticas ou simplesmente fossa), seguido de poço sumidouro ou vala de infiltração. Este sistema pode ainda ser provido de Filtro Anaeróbio de Fluxo Ascendente (FAFA). Para tanto, a contratação de um profissional de engenharia é imprescindível para definir e projetar o melhor sistema de tratamento e destinação dos esgotos, evitando dessa forma a construção equivocada de fossas negras;
    Fossa Filtro
    Tanque Séptico, Filtro e Sumidouro
    Fonte:
    Fossa Sumidouro
    Esquema básico Fossa e Sumidouro
    Fonte:
  2. Deve segregar seus resíduos sólidos, tomando cuidado com descartes de baterias (pilhas), equipamentos eletrônicos, medicamentos, vidros ou outros objetos perfuro cortantes;
  3. Agir como fiscal do meio ambiente denunciando sempre que identificar algum problema: lançamento indevido de águas residuárias, extravasamento no próprio sistema, descartes irregulares de resíduos entre outros;

Em síntese:


Um eficiente serviço de saneamento básico deve conferir à população melhores condições de vida, visto que reduz a probabilidade de contrair doenças tais como: cólera, hepatite, leptospirose, esquistossomose, micoses, helmintíases, teníase, febre tifóide, conjuntivite, e as doenças diarreicas, responsáveis pelo elevando índice de mortalidade infantil em crianças de até cinco anos de idade no mundo. conserva as áreas de lazer e balneabilidade (parques, jardins e praias...), promove a economia e incentiva o turismo.

Dentro deste cenário, poder público e sociedade ocupam papel de destaque na eficiência dos serviços que constituem o saneamento básico (abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo dos resíduos sólidos) e, consequentemente, na preservação do meio ambiente;

É determinantemente importante que a população segregue seus resíduos e os acondicionem de maneira adequada, não façam ligações de águas servidas (esgotos), de nenhuma origem, nas galerias de águas pluviais (chuva) ou nas sarjetas; na falta de rede coletora de esgoto, busquem se informar, com profissional devidamente habilitado (engenheiro, civil, sanitarista, ambiental), acerca da melhor solução individual: tratamento do esgoto - construção de fossas sépticas e filtros anaeróbios - e o corpo receptor - poços absorventes (sumidouros), valas de infiltração;

Além disso, deve agir como ficais do meio ambiente, cobrando do poder público e denunciando sempre que necessário quaisquer irregularidades observadas.

Para maiores informações acerca de tanque séptico e sumidouro, aproveitamento de águas de chuva e resíduos de construção civil clique nos linques abaixo.

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